Esse Blog teve seu início no dia 08 de junho de 2010 e seu post final foi publicado no dia 14 de julho de 2013, quando o objetivo da Maratona foi alcançado.
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domingo, 14 de julho de 2013

Maratona: última parada.

Dia 07 de julho de 2013.
Era chegado o dia da prova.
Desejava um clima fresco, mas reservaram pra um dia quente, de sol e sem nuvens. Então seria assim: a primeira Maratona teria sabor de Maratona.

Cheguei ao local da largada com 40 minutos de antecedência. Naquela hora, meu pensamento já estava impreciso e todas as estratégias que tracei, juntamente com os conselhos que recebi, desapareceram. Havia apenas um sentimento perseverante: medo (do calor, das subidas, da distância).

Iniciei a prova sem a noção de como deveria me comportar. Uma página em branco a ser preenchida e, mesmo com todos os treinamentos feitos, esqueci por onde começar.

Os cinco quilômetros iniciais foram de reordenação do meu corpo e mente. Entrei no quilômetro cinco ainda desorganizado e indócil. Ao mesmo tempo que o calor crescente me mantinha conservador, eu me inquietava com os segundos que ia perdendo a cada quilômetro. É obvio que sempre tive um desejo de superar meus tempos durante a Maratona, a exemplo do que fiz em outras provas. Mas, iniciada aquela peleja, desconfiei que não poderia colocá-la na mesma prateleira das demais.

Decidi por seguir num ritmo confortável, sem fazer esforço. Ao meu redor, Marcelo Kawano (Atacama) e Renato davam as caras vez por outra - seguindo num pace semelhante.

O medo desapareceu quando realizei que seria impossível consumar a Maratona idealizada e que o pace praticado em treinos não caberia naquelas condições climáticas. Naquele instante, parei de travar batalhas com o sol e segui de acordo com o que cabia em meus pulmões. No quilômetro 8, relaxei. Um alívio me invadiu, sorri. Percebi que, daquela maneira, conseguiria vencer a prova.

Prossegui com a certeza de estar com a estratégia certa nas mãos e resisti às tentações de mudar meu ritmo. Embora eu sentisse que poderia apertar o pace, só iria decidir pela mudança de ritmo no quilômetro 30.

Considero ter ultrapassado as subidas do quilômetros 23 e 28 com tranquilidade. Atenuava o calor de mais de 30 graus a cada posto de hidratação em que eu bebia 100 ml d'água, jogando 300 ml para no corpo. 
Entre os quilômetros 28 e 29, talvez tenha vivido o melhor momento da prova. A organização nos fez correr ao som de música clássica; o som de violinos preenchia toda a extensão do túnel São Conrado.

Descendo o Vidigal
Entrando no Leblon
A subida na Niemeyer foi um momento definitivo na corrida. Ao redor, muitos quebravam: andavam ou alongavam as panturrilhas enquanto eu seguia inteiro. A entrada no Leblon foi outro momento marcante, por estar saindo com velocidade da descida do Vidigal e encontrar uma concentração popular que aplaudia cada atleta que por ali chegava. Entrava nos últimos 12 km cheio de disposição. Acelerei levemente o pace. Ao redor, muitos corredores ficavam para trás, sofriam com câimbras, outros eram conduzidos pelas ambulâncias em direção ao posto médico.

Eu e Júlia - Copacabana
Ultrapassada a praia de Ipanema, em Copacabana ganhei um gás extra. Faltavam apenas 5 quilômetros e à frente, minha família me esperava no caminho e pude correr alguns metros ao lado de minha filha. Entrei nos quilômetros finais renovado e com energia para um sprint nos últimos 700 mt. Venci os 42.195 mt sentindo que poderia correr mais 10 km.

Não concluí minha Maratona em menos de 4h. Também não consegui manter meu plano inicial de 4h e 15 min. Mas venci! E terminei inteiro! Sei que poderia ter dado mais, mas só percebi isso após a conclusão da prova.

Sprint final
Não tive muros em meu caminho; não tive ursos subindo em minhas costas; depois do quilômetro 8, em nenhum momento achei que não conseguiria terminar; também não pensei em desistir. De repente, a maratona tornou-se algo tangível e hoje a tenho na palma das minhas mãos. Não houve grandes dramas e, por isso, embora muito feliz, não estou eufórico.
Linha de chegada

A distância foi concluída em 4h37min48seg. Sou, enfim, um Maratonista. Mas ainda sou um sedentário que luta, dia após dia, para manter-se em atividade.

Chego ao fim dessa caminhada e considero ter saído vitorioso e fortalecido. Foram três anos lapidando um indivíduo resistente e confiante - um tolo que descobriu que, adotando uma estratégia correta, definitivamente, não tem limites.

Um grande abraço e um eterno agradecimento a todos que contribuíram com essa conquista:

Minha querida esposa Karine: pela paciência em me aguentar e por ter tolerado minha ausência durante os treinos.
Minha filhota: simplesmente por existir na minha vida.
Meus pais, minha irmã e meus amigos Apicianos;
meu coach Rodrigo (Ápice) e Cláudio (Ápice): sem vocês eu não iria tão longe;
à Tatiana e Fernando (449 - nutrição) e tantas outras pessoas e amigos que estiveram a meu lado durante esses 3 anos.

Que venham outros desafios.

Luiz Guilherme Loivos de Azevedo


quarta-feira, 29 de maio de 2013

"Reta Final" para Maratona!

Sempre que tenho dúvidas sobre algo, peço ajuda a alguém de fora; que desconheça o contexto no qual estou inserido.

Morro dois irmãos. Início da praia do Leblon
(faltarão 12 km para o fim)
Penso que qualquer situação, quando olhada de fora, com o frescor de quem está imune aos contaminantes internos, recebe uma análise que merece ser considerada. A partir disso, cabe a nós, ter coragem de aceitar as opiniões que divergem do que pensamos.

Para as pessoas de fora, estou vivendo o epílogo; o remate; a conclusão de um processo. Embora faltem menos de quarenta dias para a maratona, afasto essa idéia de meus pensamentos. Mas, após o treino desse final de semana, recebi um email do Rodrigo (Treinador da Ápice) em que, após saber do resultado do longo, escreveu "que ótimo a reta final dessa preparação!". Reta Final! Parece um diagnóstico definitivo! 

E cá estou eu: firme! No que dizem ser 'a reta final', vencendo distâncias cada vez maiores, a cada novo treino.

Nesse final de semana, enfrentei o maior deles, até agora; com trinta quilômetros. 

Posso dizer que o treino começou com um email recebido por Cláudio (Treinador da Ápice). Ele mandou um convite para dez pessoas - todos que irão para a maratona do Rio, sugerindo um trajeto e combinando um treino coletivo. Eu adoro treinos coletivos, embora eles sejam, em sua maioria, um engodo, pois cada corredor sai no seu ritmo e o coletivo vira uma fila indiana de atletas. Só que dessa vez foi totalmente diferente.  

Dos dez, apareceram cinco. Desses cinco, pelo menos três estavam sofrendo com a solidão dos longões e adoraram a oportunidade de ter companhia. Pra coisa ficar melhor, o pace desses três era parecido. Foi quase uma corrida de comadres. Seguimos por mais de 20 km conversando sobre 'um tudo'. Éramos eu, Thais e Renato. Corremos os primeiros 22 km praticamente juntos. Dali em diante, cada um seguiu o seu ritmo até finalizar os 30 km. Helena e Alberto (o restante do quinteto), nos deixaram comendo poeira. rsss....

Creio que a estratégia de montar bem os longos é fundamental para não darmos um tiro no pé e, treinos como esse, pra mim, são meio caminho andado para o sucesso. Faltando pouco mais de um mês para a maratona, não quero colocar à prova minha capacidade de absorver e superar novas frustrações.

Quanto a estar na "reta final", discordo da maioria, pois ainda faltam 4 semanas de treinos. Nada está fechado; "nossos desenhos" não estão acabados. É preciso seguir com cuidado redobrado; evitando não comprometer o esforço despendido e aproveitando para ganhar mais confiança. E se há uma reta final, não tenho dúvidas, ela terá seu início depois do Morro Dois Irmãos, lá pro quilômetro trinta e dois, no dia 07 de julho. 

Grande abraço e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos de Azevedo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O que vencer em uma Maratona? A distância ou o Cronômetro?

Em novembro de 2011 fiz uma meia maratona em 1h e 52 minutos. Estava há 15 dias sem treinar e mesmo assim consegui manter um pace de 5:21/km. Em 2012, não fiz nenhuma meia maratona - por problemas diversos. Esse ano (2013) decidi finalmente correr uma maratona. Mas aí eu já era outro corredor. Iniciei os treinos bem acima do peso e recém saído de problemas na coluna; correndo mais lento do que o habitual. Antes, vencer um quilômetro a 5:30 min era tranquilo. Cheguei a completar 10 km abaixo dos 50 minutos. Hoje, meu pace da alegria gira perto de 5:55. 

E aí!?

É natural pensar que eu poderia estar em melhores condições quando decidi correr a maratona - mais leve, mais rápido. Mas, pra que? Num empreendimento como esse, o importante é o tempo ou a distância?? Alguém vai gritar: ambos! Talvez, para esses últimos, a minha escolha devesse ter sido outra. Pensei sobre isso noutro dia. E se eu tivesse aproveitado meu melhor momento físico para iniciar os treinos para maratona? E se? E se?.... 

Independente das diferentes alternativas que se dispunham à minha frente, minha escolha foi feita no momento em que me sentia mais preparado mentalmente; e, ao preterir o físico ao emocional, me despi de qualquer vestígio de autoconfiança surgido nos meus melhores momentos como corredor. Hoje, nos treinos longos, preciso percorrer de forma cautelosa e singular cada quilômetro; estar atento a cada detalhe do meu corpo.  Passo a passo, sigo atento a tudo. 

Na vida, 90% dos problemas diários são como correr distâncias pequenas - são tarefas que não demandam dedicação diferenciada. Nesses casos, conseguimos ser eficientes, embora nos escapem pequenos detalhes que, no final, não fazem grande diferença.

Para tarefas mais complexas, necessitamos de um olhar especializado. É assim que encaro esse preparo para a maratona, me obrigando a exercitar uma análise peculiar, com atenção para cada detalhe. Prefiro, por enquanto, seguir mais lento, porém, atento a tudo. Cada etapa sendo tratada com a importância devida. Cada quilômetro valorizado individualmente. Sigo em meus treinos construindo um corredor mais seguro. Imagino que, depois de completar os meus primeiros 42,195 km, e me familiarize com o desafio, eu pense em buscar tempos menores. Quem sabe!? Mas, por enquanto, a Maratona é um "problema" precisa ser resolvido, com o cuidado de quem não quer errar. E nesse contexto, o tempo que demandarei para solucioná-lo (ou completá-lo), perde sua importância.

Grande abraço e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos de Azevedo

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Máquina de movimento perpétuo

Moto Contínuo ou Máquina de movimento perpétuo.
Denominações distintas para uma máquina hipotética que não perde energia em seu movimento e, dessa maneira, após começar a se mexer, não para mais.
Alguns já perceberam onde quero chegar. Pra quem não pescou a idéia, vamos ao meu devaneio.

Acredito que é possível correr em moto contínuo. Acho sinceramente que existe uma técnica, num ritmo próprio, em que um indivíduo poderia funcionar como uma máquina de movimento perpétuo. Tirando o exagero do pensamento, quero dizer que existe um modo em que nos desgastamos o menos possível, sem perder velocidade e que se relaciona com o tipo de pisada, com a elevação das pernas, a amplitude  e frequência das passadas.

Sempre me interessei por esse assunto. De tudo relacionado à corrida, a postura, a pisada, frequência e amplitude das passadas sempre me provocaram mais interesse.

Comecei a ficar invocado com isso há uns dois anos, quando encontrei Marquinho no parque. Ele é personal e iria correr 6 km com um de seus alunos. Sua imagem é de um senhor grisalho, com uns 55 anos. Sua corrida é econômica, com passadas curtas. Conversamos um pouco e ele me convidou para correr junto. Lá fomos nós. Marquinho com seu passinho miúdo em seus 1,62 de altura. Eu, ao lado, achei que seria moleza acompanhar aquele ritmo, do alto de meus 1,85 mt. Marquinho e seu aluno conversavam como duas mulheres, após uma festa de casamento. Eu, enquanto isso, mal respirava direito!

Voltei a pensar nesse assunto durante a leitura do "Nascido para Correr". O livro é excelente, mas tem um ditado que o explica bem: quando o único instrumento que você tem é um martelo, todo problema que aparece você trata como sendo prego. E McDougall é meio martelo, vendo prego em tudo quanto é coisa; tudo pra ele é fruto ou causado pela corrida. Mas o livro tem muitos méritos. Ele, por exemplo, trata muito convincentemente a questão do "Barrefoot Run"- a corrida descalça. Também me instigou  quando ele abordou técnicas de corrida.

Desde então, sempre me atrai o olhar um corredor de passadas curtas. Foi assim quando cruzava os 6 km da praia de Moçambique, na volta à ilha. Enquanto me esfalfava para manter um pace de 5 min, uma mulher me passou, com passos curtos e ritmados. Em seu semblante, uma tranquilidade ímpar, de quem não fazia esforço algum. Brabo!

Essa semana havia um senhor, de uns 54 anos, com uma mochila de hidratação correndo na pista do parque. A mochila me remetia a um treino longo. Sua técnica era tosca. Uma alternância bem curta de passadas e com uma postura de braços fora do comum - quase alinhados com o tronco. Mas, seu pace girava abaixo dos 5:30 (fácil). Apesar da corrida feia, ali estava uma máquina de movimento perpétuo que passou por mim com tranquilidade e foi embora.

Durante meus treinos, busco replicar os movimentos desses tantos corredores que vi por aí. Tento achar um ponto em que a corrida flua. Busco uma passada específica, um ritmo; associo com movimentos dos braços. Acho que acerto, mas logo me perco e a coisa não se solidifica. Mas continuo! Sempre na busca por essa fórmula - como um eldorado particular -; em busca de uma corrida otimizada e fluida!

E vamos que vamos.
Grande abraço e até a próxima

Luiz Guilherme Loivos de Azevedo

sábado, 2 de março de 2013

Maratona pra que??

Esses dias minha esposa me confidenciou que acha que estou com algum tipo de distúrbio de humor.
Não sei o que significa isso, exatamente. Mas desconfio que estou mais chato do que o habitual.

O fato é que minha motivação para Porto Alegre oscila a exemplo do meu humor - vem e vai. Nesse momento, estou esperando ela voltar. Ela foi e não deu mais as caras. Fiz a meia maratona e só consegui treinar 4 dias depois - 8 km. A preguiça assume e minha disciplina com os treinos começa a falhar.

Nessas horas tenho uma voz que me enlouquece. "Que mané maratona, rapá!". "A atividade física é o que importa!" "Quer provar o que!?".

Pois é!... Quero provar o que? Essa é a pergunta a ser feita. E pensar enquanto escrevo, me ajuda a desvendar o mistério.

Será que preciso provar alguma coisa, com essa maratona? A resposta é: SIM. Mas por que?

Correr a maratona exige dedicação e disciplina. Também é necessário estratégia e planejamento.

E não sou uma 'pessoa' desvinculada do 'corredor'. Sou um só. Pai; marido; um homem que trabalha e que também corre. Uma pessoa que em alguns momentos foi vencida pela falta de dedicação e disciplina; que abandonou projetos mal sucedidos, sem tê-los experimentado com o devido planejamento ou sem ter adotado estratégias que, certamente, poderiam tê-los viabilizado.

Decidir correr Porto Alegre me trouxe  essa clareza. Me trouxe um sentimento de que, no passado, eu poderia ter feito diferente.

Completar a maratona significará a quebra de um padrão; será vencer um desafio maior que os 42.195 mt. Não quero exorcizar o passado. Me importam projetos futuros. Dominar o fluxo das coisas - estrategicamente; a meu favor. Falo de controlar minha disciplina e aprender a prosseguir com o planejado, por pior que as coisas, em algum momento, possam estar.

É por isso que vou prosseguir.
Quanto à motivação, ela acabou de chegar!

Abraço a todos e até a próxima.
Luiz Guilherme Loivos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Em ritmo de treino

Corri minha segunda meia maratona.

Há duas semanas, cumprindo os treinos para os 42 km de Porto Alegre, meu longo alcançou 18 km. Naquele momento decidi correr a Meia das Pontes (Brasília). Entre aquele treino e a meia, ainda haveria uma semana recuperativa. Não poderia ser melhor.

É, mas furei minhas planilhas pela primeira vez desde que decidi correr a maratona.
Na semana recuperativa tinha o carnaval e seus feriados e na semana seguinte (antes do final de semana da prova), teria que viajar à trabalho. Grave!

No carnaval, recuperei muito... e não treinei. Festa pra lá, soninho pra cá..., quando vi, já era segunda! Na semana que viajei à trabalho, saí decidido à correr. Cheguei a trotar com um amigo por 6 km, mas não me sentia bem - intestino avariado pela comida estranha e corpo cansado da rotina de trabalho.
Voltei à Brasília na sexta à noite - esgotado.

No sábado, ainda trabalhei pela manhã. À tarde, churrasco. À noite, jantar em comemoração ao aniversário de uma amiga.
Resumo da ópera: comi igual a um doido, o dia todo, e ainda deitei às 2 da matina - a prova seria às 7:30h. aff....

Fui disposto a cumprir os 21 km, mas sem cobrança. Correria maneiro, com celular à tiracolo, pois poderia ter que chamar um taxi. hahahaha....

Não foi necessário. Corri 21,3 km. É verdade que andei aqui e ali. Sem crise!!! Ainda me permiti um pitstop no quilômetro 18 para um xixi básico. Tudo muito light.

Foi uma meia com cara de treino. Concluí com 2h17minutos e feliz! 21km sem olhar pra Garmin, sem me preocupar com pace ou em ser 'Sub' qualquer coisa.

Nessa semana, o longo será de 22km e, daqui em diante, nada menos do que isso em minhas planilhas. Isso mesmo: no mínimo uma meia maratona por semana.
A meia das pontes inaugurou a peleja!

E vamosimbora!

Grande abraço e até a próxima.
Luiz Guilherme Loivos

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

De volta ao começo.

Me sinto um principiante.
Tudo, de repente, parece como antes e tenho que reaprender a correr.
A causa:
Depois de quase 3 meses parado, consegui voltar a correr - na academia.

Sempre odiei esteira, mas, tendo filha pequena, avós viajando, sem babá, em tempo de férias escolares, essa era minha única opção. Cheguei a ir à academia às 22 h pra cumprir planilha. Pra minha felicidade,  colocaram uma TV sobre a bugiganga. Durante 1 mês, adorei treinar assistindo programas diversos e tornei minha atividade física menos monótona. Graças à esteira, consegui voltar a cumprir regularmente minhas planilhas e parei de "faltar treino". Estava me sentindo ótimo com minha regularidade.

Um dia a academia fechou e faltavam 3 km para eu finalizar os 12 da planilha. Nem pensei duas vezes: completei a corrida na rua, debaixo de chuva. Aqueles foram os piores 3 km da minha vida. Experimentei o quanto correr no asfalto é diferente e mais difícil. Desde então, decidi largar a mamata da academia e voltei para as ruas. Durante a preparação para a maratona, correr na esteira, só em último caso.

É, mas não saí impune dessas corridas in door. A soma de três meses parado, com quilos adicionais, e a prática na esteira me fez perder a pouca qualidade da minha passada. Eu, que já era um pangaré, virei uma tartaruga. As corridas na rua adquiriram um grau de dificuldade muito maior do que eu poderia supor. Minha passada tornou-se passiva - parei de empurrar o asfalto. Tragédia!!!

Em 2012 corri 10 km em 49:50min. Esse ano, se termino a mesma distância em menos de 60 minutos, me dou por satisfeito. aff!!!!

Pensei que não seria capaz de me condicionar em tempo para maratona, mas estou recuperando o ritmo! E, depois desse "atraso", cada conquista ganha gosto de 'inédita'; sabor que não experimentava desde os 21 km. Há tempos não vibrava ao vencer distâncias como 14 ou 16 km. Voltei a sentir um frio na barriga, a cada novo longo. Também estou reaprendendo a dormir, pois meu descanso voltou a ser fundamental com o aumento da quilometragem. E o principal: tenho cumprido planilha (direitinho). Não furo nada!! Ano passado, foi o 'samba do crioulo doido'. Em dia de 12km, corria 16. Em dia de 10 regenerativo, me esgoelava durante os 6 primeiros quilômetros e quebrava, sem completar o treino.

Sinto que chegarei lá, apesar do longo e pedregoso caminho que tenho até o dia 9 de junho.
Que venha Porto Alegre.
Darei notícias!!!

Grande abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Que venha a Maratona!

Está na hora de planejar o fim desse Blog.
Estou muito certo de que minha primeira maratona será em 2013 (talvez Porto Alegre, talvez Buenos Aires; Chicago... sei lá!).

Se estou motivado? Muito.
Se estou treinando? nada!

A última vez que corri foi há 10 dias. Não parece muito, eu sei. Foi uma corrida leve de 6 km e terminei com a língua de fora. O motivo de tanto cansaço: estava há quase 2 meses sem correr nada. Isso é grave! Mas também é grave o tanto que engordei (3,5 quilos em 60 dias). Aliás, gravíssimo!!

Ainda não estou me preocupando, pois sei que se voltar regularmente aos treinos, em fevereiro (no máximo) já estarei com peso anterior. O problema é a tal inércia. Estou num ritmo difícil de ser quebrado. Saí de uma lesão na lombar, quando tive que parar tudo. Na sequência emendei numa viagem de férias. Aff.... Voltar pro trabalho depois de 20 dias de férias já foi complicado. Voltar pras ruas, depois de 60 dias, é muito mais.

Para a maioria dos corredores, sei que estou falando grego. Muitos dirão não darem conta de ficar parados. Pra mim, isso é mole. rssss... Nunca me tornei um adicto. Definitivamente, meu maior vício é o ócio. Mas depois de dois anos, embora a corrida de rua não seja uma atividade indissociável do meu dia a dia,  reconheço o poder que ela tem em me manter ativo. Afirmo ainda que nunca experimentei atividade física tão envolvente.

Essa semana volto aos treinos. Volto à 'corrida de rua'. Aquela que nunca me enfeitiçou, mas que já faz parte da minha vida.

E que venham novos desafios.

Grande abraço e até a próxima.

Luiz Guilherme


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quase um álibi!

Tinha sido uma rápida viagem à Goiânia. Chegando lá, depois de 233km de carro, fomos arrumar o quarto. Era pra ser um movimento corriqueiro. Enquanto colocava o lençol por baixo do colchão, algo pareceu travar. Uma dor lancinante me imobilizou e, quando tentei voltar à posição ereta, senti outra contratura na lombar.

Nos últimos meses a lombar andou dando as caras. Antes, quando tinha dor, era nos ombros. Mas, ultimamente, os ombros passaram a coadjuvante e a lombar ganhou o papel principal**. O resto do corpo eu nem sei que existe.  E, num repente, enquanto fazia a cama, a lombar me aleijou. Não conseguia andar. Fui manquitolando para a farmácia e por lá fiz a festa: spray antiinflamatório, emplastros, analgésicos, relaxantes musculares. Consegui um mínimo de alívio para continuar o final de semana e conseguir voltar dirigindo de volta à Brasília.

A semana que seguiu ao ocorrido foi terrível e me mantive longe dos treinos. Foram dias de osteopatia, fisioterapia, acumpuntura e muito repouso.

Desde então, já se passou um mês. Melhorei! Melhorei, mas ainda não voltei! Me dei férias; um tempo para repensar a relação. Não estou em crise com as ruas, mas precisava reencontrar minha motivação para correr. Ao contrário de muitos camaradas de corrida, nunca me viciei em correr. Ou, pelo menos, não me viciei muito. Além disso, nesse ano, apesar dos bons momentos, não consegui realizar muitos de meus planos. Passei um ano me mantendo preparado para meias maratonas e, das quatro que havia planejado participar, não corri nenhuma (por motivos variados).

Mas, esse tempo, embora possa sugerir, não me afastou da corrida. Me imagino correndo diariamente e a motivação vem voltando dia a dia; cada vez com mais força - de olho em distâncias maiores; em finalmente vencer os 42.195 mt que apontam o objetivo máximo desse blog. E, tudo indica que, em 2013, é pra lá que eu vou.


Grande abraço e até a próxima.

Luiz Guilherme


** Nunca senti dores lombares ao correr. Infelizmente essa é uma consequência da minha profissão (dentista). Além disso, segundo os médicos que consultei, a corrida não é uma contraindicação para a corrida. Então... vamos que vamos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Ultramaratonista

Considero a Volta do Lago (100 km) uma das boas provas que acontecem na capital federal. Ano passado, me diverti às pampas com meus companheiros de revezamento. Esse ano, decidi não participar da prova. Os motivos foram vários. Entre eles, uma possível viagem (que não aconteceu); ter participado da Volta à Ilha (outro revezamento) e o desejo de voltar à Volta do Lago para correr em trio. Essa, desde o ano passado, era minha meta e não quis estragá-la.

Mas, havia um excelente motivo (maior do que tudo citado acima) para revisitar os trechos que experimentei em 2011, mesmo que extra oficialmente. Eduardo Sant Anna, amigo de Ápice iria correr os 100 km solo. Eu, o vampiro das ruas, que muitas vezes usufruí da companhia do amigo corredor, queria poder acompanhá-lo em parte daquele desafio.

Eduardo e Cláudio
Eduardo iniciou sua corrida às 5:30 da matina. Entre os colegas da Ápice, nos ajeitamos para fazer companhia à sua empreitada. Cláudio (Coach de Eduardo) o acompanhou durante praticamente todos os 100 km. Era Cláudio que se comunicava com o carro de apoio, onde estava a esposa de Eduardo. Através dele, toda a logística era realizada. Mas, Cláudio não era responsável apenas pelo controle logístico. Era dele a voz que surgia para quebrar o silêncio e disfarçar o cansaço da ultramaratona. Enquanto estávamos juntos, falávamos de tudo. Surgiam frases de incentivo e discursos motivacionais do Coach com o intuito de vencer os quilômetros que faltavam. Enquanto isso, o garmim de Eduardo avisava, a cada 'bipe', que mais um quilômetro havia sido vencido.

Encontrei Eduardo na Ermida Dom Bosco, quando ele já havia corrido mais de 67 quilômetros. "Dói tudo" disse ele. Seguimos sem a companhia do "pace". Se não fui claro, quis dizer que, para se completar uma distância dessas, o "pace" deixa de ser importante. Corremos, trotamos, andamos. Num momento Eduardo acelerou o passo, em outro se resignou frente à subida do quilômetro 81. Nesse ponto especificamente, caminhamos alguns metros e logo Eduardo voltou à carga.

Era nessas horas que Cláudio aproveitava para tirar da manga seus sofismas motivadores. Nesse mesmo quilômetro 81 Cláudio lembrou Eduardo que 19 km não eram nada, comparado com os tantos treinos de 30 ou 35 km vencidos. Se funcionava? Não sei, mas Eduardo sabia que faltava pouco e seguia trotando. À frente, mais da Ápice chegava. Victor e Adriano Klebs vinham a nosso encontro e rapidamente engrossaram o coro e as passadas de apoio.

Minha participação se encerrou no Pontão do Lago Sul, 18,6 km depois de nosso encontro na Ermida. Ao lado de Eduardo, continuaram os dois grandes apicianos e o inseparável Cláudio.

Eduardo completou os 100 km em 11 horas e 29 minutos e atravessou o pórtico da chegada ao lado de sua esposa e de mãos dadas com seu filho, cercado de sorrisos e aplausos dos amigos de corrida que se emocionaram com sua conquista.




Parabéns Eduardo! 



Antes de finalizar esse post, queria dizer mais uma coisa. Enquanto estive ao lado de Eduardo, sua mãe (que o acompanhava de carro) me agradeceu pelo apoio que, teoricamente, eu estava dando. Sobre isso, é preciso que eu diga: eu é que agradeço!!! Ter vivido essa experiência com os amigos de corrida me motiva sobremaneira. Sei que muitos apicianos podem dizer o mesmo, pois também acompanharam a conquista com emoção genuína.
Valeu demais!
Um abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A primeira Maratona... de revezamento.

Sim... eu fui! 
(Equipe Trapo - 3) + 1.
Participei de minha primeira maratona. Equipe com 8 integrantes. Cada um correria 5.25 Km. O grupo, organizado por Justine, iniciou com Monique, seguida por Cléa, a própria Justine, Bruno, Gabriel, Eu, Marcão, e Bruno novamente (The Forrest). 

Pausa para um agradecimento: Obrigado a todos por me acolherem e permitirem que eu participasse dessa festa. Dei boas risadas. Foi ótimo conhecer vocês. Peço apenas que me perdoem pelo estilo cachorro magro de ser. Grande abraço!

Afinal, e como foi? A lider da equipe Trapo me perguntou ao final dos 5 Km.

Foi bom. Me senti bem durante todo o percurso. Dois meses depois de ter iniciado os treinos, 5 Km configuram-se uma verdadeira Run for Fun.

Iniciei os primeiros 2 Km mantendo baixo o ritmo. Os próximos 2 foram na subida. Não deixar cair o pace era minha meta, pra aumentar o ritmo nos últimos 1.000 metros. Funcionou bem até eu acelerar as passadas, o que me custou uma grande sensação de cansaço.

Na chegada, me motivando para um sprint, a equipe providenciou objeto de desejo sob o sol de meio dia. Foi de grande ajuda. rsss..... 
Objeto Motivador para o Sprint final


Comparando com os primeiros 5 Km (circuito das Estações), imagino ter reduzido em mais de 3 minutos meu tempo, mas não baixei o tempo que consegui no treino de mesma quilometragem que fiz na semana retrasada. Tem nada não. Dia 7 tem outra, em horário de temperatura amena e vou tentar mudar a estatística.

Grande abraço a todos.
Até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos de Azevedo