Esse Blog teve seu início no dia 08 de junho de 2010 e seu post final foi publicado no dia 14 de julho de 2013, quando o objetivo da Maratona foi alcançado.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Ultramaratonista

Considero a Volta do Lago (100 km) uma das boas provas que acontecem na capital federal. Ano passado, me diverti às pampas com meus companheiros de revezamento. Esse ano, decidi não participar da prova. Os motivos foram vários. Entre eles, uma possível viagem (que não aconteceu); ter participado da Volta à Ilha (outro revezamento) e o desejo de voltar à Volta do Lago para correr em trio. Essa, desde o ano passado, era minha meta e não quis estragá-la.

Mas, havia um excelente motivo (maior do que tudo citado acima) para revisitar os trechos que experimentei em 2011, mesmo que extra oficialmente. Eduardo Sant Anna, amigo de Ápice iria correr os 100 km solo. Eu, o vampiro das ruas, que muitas vezes usufruí da companhia do amigo corredor, queria poder acompanhá-lo em parte daquele desafio.

Eduardo e Cláudio
Eduardo iniciou sua corrida às 5:30 da matina. Entre os colegas da Ápice, nos ajeitamos para fazer companhia à sua empreitada. Cláudio (Coach de Eduardo) o acompanhou durante praticamente todos os 100 km. Era Cláudio que se comunicava com o carro de apoio, onde estava a esposa de Eduardo. Através dele, toda a logística era realizada. Mas, Cláudio não era responsável apenas pelo controle logístico. Era dele a voz que surgia para quebrar o silêncio e disfarçar o cansaço da ultramaratona. Enquanto estávamos juntos, falávamos de tudo. Surgiam frases de incentivo e discursos motivacionais do Coach com o intuito de vencer os quilômetros que faltavam. Enquanto isso, o garmim de Eduardo avisava, a cada 'bipe', que mais um quilômetro havia sido vencido.

Encontrei Eduardo na Ermida Dom Bosco, quando ele já havia corrido mais de 67 quilômetros. "Dói tudo" disse ele. Seguimos sem a companhia do "pace". Se não fui claro, quis dizer que, para se completar uma distância dessas, o "pace" deixa de ser importante. Corremos, trotamos, andamos. Num momento Eduardo acelerou o passo, em outro se resignou frente à subida do quilômetro 81. Nesse ponto especificamente, caminhamos alguns metros e logo Eduardo voltou à carga.

Era nessas horas que Cláudio aproveitava para tirar da manga seus sofismas motivadores. Nesse mesmo quilômetro 81 Cláudio lembrou Eduardo que 19 km não eram nada, comparado com os tantos treinos de 30 ou 35 km vencidos. Se funcionava? Não sei, mas Eduardo sabia que faltava pouco e seguia trotando. À frente, mais da Ápice chegava. Victor e Adriano Klebs vinham a nosso encontro e rapidamente engrossaram o coro e as passadas de apoio.

Minha participação se encerrou no Pontão do Lago Sul, 18,6 km depois de nosso encontro na Ermida. Ao lado de Eduardo, continuaram os dois grandes apicianos e o inseparável Cláudio.

Eduardo completou os 100 km em 11 horas e 29 minutos e atravessou o pórtico da chegada ao lado de sua esposa e de mãos dadas com seu filho, cercado de sorrisos e aplausos dos amigos de corrida que se emocionaram com sua conquista.




Parabéns Eduardo! 



Antes de finalizar esse post, queria dizer mais uma coisa. Enquanto estive ao lado de Eduardo, sua mãe (que o acompanhava de carro) me agradeceu pelo apoio que, teoricamente, eu estava dando. Sobre isso, é preciso que eu diga: eu é que agradeço!!! Ter vivido essa experiência com os amigos de corrida me motiva sobremaneira. Sei que muitos apicianos podem dizer o mesmo, pois também acompanharam a conquista com emoção genuína.
Valeu demais!
Um abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Volta do Lago II (texto faraônico)

A Volta do Lago começou ainda no início de maio, depois de um excelente treino que realizei com os colegas da Ápice. Faltava 1 mês para a corrida de revezamento e ainda havia uma equipe querendo se formar. Me informei, me ofereci e pronto. Estava feito - participaria da Volta do Lago.
Aquele tinha sido um treino e tanto. Me senti leve e rápido. Mas dias depois viriam as dores. Dores já relatadas em outro post. Durante uma semana, arrastei minha perna pra todos os lados. Correr era impossível. Médico daqui; opiniões dali. Iniciei com a suspeita de bursite trocantérica passando por ciático e hérnia de disco. Uma semana parado e voltei aos treinos pra cumprir 10 km. A dor presente, o corpo se arrastando. Orientado por meus treinadores decidi me dar mais uma semana de repouso. Mais médicos. Mais suspeitas diagnóstico. Agora a desconfiança era um encurtamento muscular (falta de alongamento), gerando inflamação muscular ou choques indevidos entre o fêmur e a bacia (osso com osso). Ressonância 1 sem diagnóstico e faltavam menos de 15 dias para a Volta do Lago. Tinha que voltar aos treinos.
Resolvi mudar minha medicação. Inicialmente o primeiro médico receitou Diclofenaco. Decidi por um relaxante muscular. Opa! Melhorou. Sossego repentino. Luz no fim do túnel.
Voltei às ruas. Omiti de meus treinadores a persistência das dores e reiniciei as corridas. Lento... Lento. Pela primeira vez, desde que comecei com a Ápice, parei de tentar baixar meu tempo durante os treinos - afinal, como os treinadores dizem, descanso também é importante. Meus quilômetros eram percorridos bem acima dos 6 min. Mas as distâncias programadas pelas planilhas eram cumpridas. Aboli os treinos de tiro, pois as dores aumentavam e minha velocidade se perdia numa evidente falta de explosão muscular. Decidi, por conta própria, cumprir apenas as distâncias previstas. Intensidade, fica pra depois.
Ressonância 2. Cheguei pro exame sem mancar. Parecia um ser normal. Mais 50 minutos no tubo que gritava daqui, rugia de lá...  Faltavam 6 dias para a prova. Correria sem diagnóstico e, obviamente, com dor. Mas a medicação funcionava melhor do que eu podia imaginar. Decidi regular as doses. Apenas 1 comprimido antes dos treinos. Minha intenção era não acostumar meu corpo ao remédio.
Quinta feira (antes da corrida), treino de 8 km feitos em 49 minutos. Lá ia eu, tartarugando! Com medo de dar vexame, apelei pra tudo. Confesso, cheio de vergonha, que comprei até uma meia de compressão. Afe!!! Sofro só de pensar - parece ridículo um pangaré como eu usando esses acessórios. Mas havia uma justificativa: a literatura afirma que elas melhoram a recuperação entre treinos e eu iria correr dois trechos de 8km. Precisava estar bem pro segundo e essa parecia ser uma estratégia interessante.
Dia da prova. Apenas 40 minutos para eu começar minha participação. Check list. Estava quase tudo lá - até as meias. Mas faltava o remedinho. Parada emergencial na farmácia - obrigatório para os 8 km que viriam pela frente. Era pra ser, segundo relato da organização da prova, um trecho fácil e com descida. Nada disso. Tinha subidas leves, intercaladas com áreas planas. Não era difícil, mas sob o sol das 10 h, exigiu mais do que havia imaginado. As meias esquentavam uma barbaridade. Garrafa d'água só pra molhar o corpo. A surpresa boa foi ter encontrado Alexandre (amigo, também corredor, que já visitou esse blog outras vezes). Ele apenas treinava. Corremos juntos uns 500 metros até que ele, gentleman que é, afrouxou o passo e ficou pra trás, evitando me passar. A propósito, Alexandre tem um pace muito mais rápido que o meu.
No iPod, minha playlist havia sido ajustada para 45 minutos. Pra isso, teria que manter um pace mínimo de 5.30 minutos. Terminei a primeira missão do dia com a última música ainda na metade. Tudo, até então, funcionando de acordo com o planejado!
Teria, a partir dali, 2 horas de intervalo até o início da segunda perna de 8km. Correria às 13 h, sob um sol que castigava todos os participantes da Volta do Lago. As dores voltavam com o esfriar do corpo (mas sem exagero). Os colegas de equipe se esfalfando num trecho horroroso (Miguel e Leonardo Leão). Foi dando um medo!!! Quero mais não! (pensei!) rsss.  Para os outros 8km, não precisaria das meias de compressão, só coragem! Fui eu. Mesma playlist. Os mesmos 45 minutos pra terminar. A diferença era a tal "subida forte" que vinha pela frente. Mas tinha umas boas decidinhas também (ufa!). Mantive meu ritmo, atento apenas ao Garmin e a meu parceiro virtual (programado pra correr num pace de 5.45 min/km). A meta era mantê-lo sempre atrás. E lá ele ficou. Talvez uns 2 ou 2,5 minutos atrás de mim. Antes do final da última música, cruzei o posto de troca. Missão cumprida.
O resto do dia foi só festa. Relax total. A prova foi uma delícia, apesar da flagrante carência de estrutura e organização.
Na semana que seguiu a prova, nada de corrida. No diagnóstico da segunda ressonância "estiramento do glúteo mínimo; sem ruptura". Nada de ciático ou problemas mais complexos. Provavelmente repouso e fisioterapia. Mas continuarei nas ruas.
Um grande abraço e até a próxima.
LG