Esse Blog teve seu início no dia 08 de junho de 2010 e seu post final foi publicado no dia 14 de julho de 2013, quando o objetivo da Maratona foi alcançado.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

De volta ao começo.

Me sinto um principiante.
Tudo, de repente, parece como antes e tenho que reaprender a correr.
A causa:
Depois de quase 3 meses parado, consegui voltar a correr - na academia.

Sempre odiei esteira, mas, tendo filha pequena, avós viajando, sem babá, em tempo de férias escolares, essa era minha única opção. Cheguei a ir à academia às 22 h pra cumprir planilha. Pra minha felicidade,  colocaram uma TV sobre a bugiganga. Durante 1 mês, adorei treinar assistindo programas diversos e tornei minha atividade física menos monótona. Graças à esteira, consegui voltar a cumprir regularmente minhas planilhas e parei de "faltar treino". Estava me sentindo ótimo com minha regularidade.

Um dia a academia fechou e faltavam 3 km para eu finalizar os 12 da planilha. Nem pensei duas vezes: completei a corrida na rua, debaixo de chuva. Aqueles foram os piores 3 km da minha vida. Experimentei o quanto correr no asfalto é diferente e mais difícil. Desde então, decidi largar a mamata da academia e voltei para as ruas. Durante a preparação para a maratona, correr na esteira, só em último caso.

É, mas não saí impune dessas corridas in door. A soma de três meses parado, com quilos adicionais, e a prática na esteira me fez perder a pouca qualidade da minha passada. Eu, que já era um pangaré, virei uma tartaruga. As corridas na rua adquiriram um grau de dificuldade muito maior do que eu poderia supor. Minha passada tornou-se passiva - parei de empurrar o asfalto. Tragédia!!!

Em 2012 corri 10 km em 49:50min. Esse ano, se termino a mesma distância em menos de 60 minutos, me dou por satisfeito. aff!!!!

Pensei que não seria capaz de me condicionar em tempo para maratona, mas estou recuperando o ritmo! E, depois desse "atraso", cada conquista ganha gosto de 'inédita'; sabor que não experimentava desde os 21 km. Há tempos não vibrava ao vencer distâncias como 14 ou 16 km. Voltei a sentir um frio na barriga, a cada novo longo. Também estou reaprendendo a dormir, pois meu descanso voltou a ser fundamental com o aumento da quilometragem. E o principal: tenho cumprido planilha (direitinho). Não furo nada!! Ano passado, foi o 'samba do crioulo doido'. Em dia de 12km, corria 16. Em dia de 10 regenerativo, me esgoelava durante os 6 primeiros quilômetros e quebrava, sem completar o treino.

Sinto que chegarei lá, apesar do longo e pedregoso caminho que tenho até o dia 9 de junho.
Que venha Porto Alegre.
Darei notícias!!!

Grande abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tudo pela Família.

Na Maratona do Gelo, perto dos 30 km, o reporter Clayton Conservani extenuado e buscando forças para continuar sua corrida, firma seu pensamento em sua filha e se motiva a continuar até o fim. Olhando para a câmera, Clayton afirma enquanto corre:

"Pensei muito na minha filha. Na Gabi. Tenho que fazer valer à pena; todo esse tempo que eu passo longe dela. Essa prova é pra você, Gabi! Todas as forças que eu tenho agora são pra você, minha filha"

Na mesma prova, Bernardo Fonseca, o vencedor, dedica com voz embargada pela emoção:
"Isso é pra minha esposa querida (...) que me ajudou bastante. Desculpe os momentos em que eu não pude ficar com ela. É pra você". 

Essas declarações mexem comigo. Ouvir o Clayton dedicar, em meio às dores e ao cansaço, aquela maratona à sua filha, me emocionou. Me imaginei em situação semelhante e desejei poder dedicar algo tão emblemático à todos que amo - especialmente meus pais, minha esposa e minha filha.

É aqui que esbarro em uma incompatibilidade. Para enfrentar esses desafios, preciso abrir mão do convívio com essas pessoas preciosas. E, se o carinho é recíproco, será que eles querem essa homenagem? Será que eles escolheriam a minha ausência recorrente, em razão dos treinos?

Para minha mulher, que brinca falando sério, quando corro, eu "corro da família". Não é verdade, mas também não é mentira, pois muitos dos desafios que crio são apenas meus e não seria justo dividí-los com outros, sem que tenham chance de escolha.

Por outro lado, conversando com triatletas de IronMan, maratonistas, ultramaratonistas, alguns me disseram que em um certo ponto da prova as dores se tornam maiores do que qualquer pensamento; só não superam o desejo de rever a família na linha de chegada. A família que foi sacrificada pelas ausências e que também merece aquela conquista. Como numa prova de revezamento, onde todos dão sua quota de esforço, e você prossegue, vencendo o cansaço; é por eles que as pernas continuam a se movimentar. São eles que te impulsionam adiante.

O fato é que um grande amor merece uma grande homenagem e nada é tão significante quanto mostrar o quão incompleto você é sem aqueles que ama. Talvez eles não percebam a dimensão da força que nos emprestam. Mas precisam saber que os que correm pela família, embora 'corram dela', correm 'com ela' e 'de volta pra ela'.

A meus familiares, amo demais vocês. Minha esposa e filha querida, não vivo sem vocês.
Eu, Juju e Karine (ao fundo à esquerda) junto ao poste.

Um grande beijo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Vampiro das Ruas

Há algum tempo venho tendo dificuldades em me aventurar nos longões. Normalmente são treinos de 16, 18 ou 20 quilômetros que tenho evitado voluntariamente (por cansaço) ou em razão de impedimentos diversos. O fato é que nunca morri de amores pelos longões e sempre arrumo um motivo para deixá-los de lado.

Quanto aos demais treinos, venho sendo um bom rapaz. Tenho cumprido as planilhas semanais regularmente, com bom desempenho. Até certo ponto, venho conseguido baixar meu pace e tenho me sentido bem para alongar algumas distâncias. Mas, quando chega o final de semana, o ânimo arrefece e vou para as ruas cheio de preguiça.

Mas descobri que o desânimo não é pela corrida. O que tem me matado é a solidão do treino. Alguns dos corredores da Ápice gostam de treinar sozinhos. Ouço, quase semanalmente, que me digam como adoram os longões, pois é um momento de introspecção; de por os problemas 'na alça da mira' e por aí vai.  Mas comigo é diferente. Durante algum tempo eu era suficiente enquanto corria. O fato é que não me suporto mais. Correr 18 km, mesmo na beira da praia, apenas comigo mesmo, tem sido tedioso.

Já tentei de tudo para mudar essa situação. De todos os estratagemas utilizados, correr por caminhos novos tem sido um dos melhores. Mas, aquele que está em primeiríssimo lugar, é correr acompanhado. Estar do lado de um companheiro de asfalto tem salvado minhas semanas.

Tanto nos treinos semanais quanto nos longões, busco companhia. Que seja apenas para os primeiros quatro quilômetros de aquecimento. Já é alguma coisa. Isso tem mudado tudo.

Ultimamente, Eduardo tem sido minha vítima mais regular. Ele, que está treinando para uma ultramaratona (100 km), tem treinado num pace mais lento e permitido que pessoas como eu possam acompanhá-lo.

Tem dias que a corrida ao lado dos colegas Apicianos está tão fluida que estendo meus 8km (da planilha) para 12km. Ou abandono os 10km e estico para 15km. Meu último treino (14km), ao ganhar a companhia de Eduardo, cresceu para tranquilos 17 km. Correr acompanhado tem sido minha melhor arma a favor da corrida e contra o desânimo que vem e vai.
Só tenho a agradecer pela canja que meus confrades Apicianos tem dado ao pangaré aqui.

Valeu demais!

Grande Abraço e até a próxima.
LG



terça-feira, 1 de maio de 2012

O Chamado.

 Era domingo. Naquele final de semana a missa seria às 8:00h. Para não haver briga na família, fizemos um acordo: saio para o longão bem cedo quando a missa for 12:00h. Mas, quando for às 8:00h, fico com nossa filhota e espero a  esposa chegar (por volta das 9:15h). Vinha funcionando razoavelmente.

Pronto! Esclarecido os tratos, vamos aos fatos. Naquela manhã saí por volta das nove e meia. Cinto de hidratação, gel de carboidrato e uns dez contos no bolso (item indispensável). Pela frente, quatorze quilômetros nada assustadores. Animado, cheguei a cogitar fazer dezesseis. Tolo mortal!!! rsss

Os primeiros 9 km não foram nada  moles. No quilômetro cinco já tinha esvaziado duas das quatro garrafinhas de hidratação. Bebi uma e me banhei com a outra. Que sol lascado! Finalizei o treino e os tais dois quilômetros adicionais nem foram cogitados.

Nessas horas fico realmente confuso com meu desempenho. Tem dias em que os treinos fluem com tal perfeição que penso ter nascido para as ruas. Em outros, é puro esforço e sofrimento; me arrasto; me esfalfo de tal forma que percorro cada metro de olho no Garmin, pra ver se está acabando.

Curiosamente, num desses domingos de missa às 8:00h, já eram 8:30h eu ainda estava na cama curtindo minha filha e uma preguiça braba. Se eu quisesse correr, os preparativos deveriam ter início naquele momento. Na planilha, 16 km pela frente. Hummmmmmmm..... Foi quando tomei minha decisão: que se lasque a planilha. Vou não!

Às 9:15h, a esposa chegou.
- Uai, você ainda está deitado?
- Vou correr não. Amanhã dou um jeito de cumprir a planilha.

E o dia passou. Preenchemos quase todas suas horas disponíveis. No final da tarde,  cortávamos Brasília de carro enquanto voltávamos pra casa. O ar estava fresco. Do sol, restava apenas alguma claridade e as sombras dos prédios. Abri o vidro do carro e olhei atento para fora. Alguma coisa acontecia. Algo incomum. Era a rua que fazia contato - quase um chamado.

E se...!?  Será? A essa hora? (pensei).  
Então, conversei com a esposa.

- Claro!! O tempo está ótimo! Vai logo! Melhor do que amanhã!

Lá fui eu! Dezesseis quilômetros iniciados à luz dos últimos raios de sol e finalizados em noite plena. Excelente! 

Ultimamente tem sido assim. Primeiro vem a preguiça. Depois, a certa hora, dependendo da paisagem ou da altura do sol, ouço o tal chamado. Quando dá, peço licença e me mando pelas ruas.
Precisa mais? 

Um grande abraço e até a próxima.
LG

segunda-feira, 19 de março de 2012

Confissões de um corredor de rua.

Sim, eu admito: Colei naquela prova de português! Também colei naquela de física. Eram tantas fórmulas!!! Minha mãe dizia: você acha que está enganando quem?

Claro que eu tinha ciência de que a única vítima de meus estratagemas para alcançar melhor desempenho era eu mesmo. Só que agora, na corrida, não dá pra perpetuar o hábito de me enganar.

Esses dias percebi o quanto me esquivava das planilhas de Choque (mais fortes). Embora eu cumpra todas, quando era necessário fazer progressão de velocidade, iniciava os primeiros quilômetros bem pianinho e ia progredindo, com jeitinho, sem me esfalfar nas pistas.

Ora, ora, ora. A quem eu quero enganar?

Meus amigos iam evoluindo e eu, mais lentamente, ia atrás. Queria melhorar o pace, mas nada de suar. Ah! se eu pudesse colar.

Enfim, decidi dar um basta.

A motivação surgiu  com a morte prematura do meu Garmin 410, que se foi com pouco mais de 1 ano de uso. Causa Mortis: Bateria Viciada.

Enquanto a assistência técnica não dava um jeito, fui para as ruas com o 'Nike + GPS' do celular. Com ele, corri sob as sombras das árvores em razão do calor candango e acho que o GPS ficou doido. No final das contas, uma das corridas registrou 10 km abaixo de 50 minutos.

Como todo menino que cola, tomei pra mim aquele resultado. Por outro lado, quis acreditar que havia mérito naquela conquista. Assim, desde então, venho correndo "forte" tentando repetir o feito. O pace baixou e tenho conseguido me aproximar dos 50 minutos (para 10km). No circuito Athenas (dia 11 em Brasília) completei os 10 em 49:56 min. Ao meu redor, todos estavam alegres por também terem baixado o tempo. Depois descobri o motivo: corremos 9,6 km. Assim não quero!! Chega de cola!

De alguma forma, essa nova peleja me trouxe novamente às corridas. Andei desmotivado e preguiçoso. As postagens esporádias no blog são um retrato do momento que vivia. Mas tudo mudou. Agora é sentar a bota e suar pra valer.

Um grande abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos