Esse Blog teve seu início no dia 08 de junho de 2010 e seu post final foi publicado no dia 14 de julho de 2013, quando o objetivo da Maratona foi alcançado.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Desafios (Manoel Cotts)

O texto que segue é do amigo Manoel Cotts.
Além de corredor, Cotts também é um bicicleteiro afeito a trilhas e me parece estar mais habituado às rotinas de treino. Por isso esse texto é tão especial e surpreendente, pois achei que apenas eu (preguiçoso que sou) sofria com os desmandos mentais que tentam sabotar minhas planilhas. 
Tenho certeza de que vão adorar. 
Boa leitura!
Loivos


Antes do sol nascer, barulho meio ao silêncio
insistente, começando longe, e cada vez mais perto
Insiste até se tornar um berro, fino e estridente dentro do ouvido
Com força e determinação, um toque leve e suave avisa: mais um pouco.
O pouco é muito pouco e lá vem de novo... longe, perto, estritente,
Primeiro desafio vencido: levantar.


Olhar longe, distante, nem o Sol acordou, por que eu?
O frio, o vento, a escuridão, a dúvida: vou?
Estica um pouco aqui, um pouco ali, senti um pequena dor, muito pequena,
opa: melhor não ir? melhor "poupar"? e se piorar?
Segundo desafios: vencer desculpas.

Ligar o relógio, marcar distância, lembrar do treino
Nossa, tudo isso! essa hora! com esse tempo!!
Sozinho, será que dá para fazer? o treinador exagerou!
Começo pesado, corpo frio, passos difíceis,
dores, respiração ofegante, outros passos sem ritmo,
Será que vai dar? Seguimos...
Terceiro desafio: começar

O corpo vai aquecendo, o coração batendo mais rápido,
Respiração normalizando, passos aumentando, a estrada ficando para trás,
o tempo, voraz, cobrando distâncias, pedindo mais, chegue logo!
Aumente o passo, o ritmo, vamos acabar com isso, acelerar ou não?
Diminua o pace! não! aumenta! vai "quebrar", olha o coração,
Calma: tudo bem...
Quarto desafio: a incerteza.

Tudo ajustado. Pace, batimentos, pisada,
braços, hidratação, pernas bem, respiração controlada,
cabeça no objetivo, lembrando da meta... o tempo passando,
a distância para terminar diminuindo, endorfina circulando,
sorriso largo, dores controladas, to chegando!
Quinto desafio: chegar.

Vencidos esses, outros desafios virão... Novas provas, novas metas, novas subidas,
descidas, outros companheiros, contusões, alegrias, dores, satifações,
estes são nossos desafios...




Manoel Cotts: o cara!!!









segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Ultramaratonista

Considero a Volta do Lago (100 km) uma das boas provas que acontecem na capital federal. Ano passado, me diverti às pampas com meus companheiros de revezamento. Esse ano, decidi não participar da prova. Os motivos foram vários. Entre eles, uma possível viagem (que não aconteceu); ter participado da Volta à Ilha (outro revezamento) e o desejo de voltar à Volta do Lago para correr em trio. Essa, desde o ano passado, era minha meta e não quis estragá-la.

Mas, havia um excelente motivo (maior do que tudo citado acima) para revisitar os trechos que experimentei em 2011, mesmo que extra oficialmente. Eduardo Sant Anna, amigo de Ápice iria correr os 100 km solo. Eu, o vampiro das ruas, que muitas vezes usufruí da companhia do amigo corredor, queria poder acompanhá-lo em parte daquele desafio.

Eduardo e Cláudio
Eduardo iniciou sua corrida às 5:30 da matina. Entre os colegas da Ápice, nos ajeitamos para fazer companhia à sua empreitada. Cláudio (Coach de Eduardo) o acompanhou durante praticamente todos os 100 km. Era Cláudio que se comunicava com o carro de apoio, onde estava a esposa de Eduardo. Através dele, toda a logística era realizada. Mas, Cláudio não era responsável apenas pelo controle logístico. Era dele a voz que surgia para quebrar o silêncio e disfarçar o cansaço da ultramaratona. Enquanto estávamos juntos, falávamos de tudo. Surgiam frases de incentivo e discursos motivacionais do Coach com o intuito de vencer os quilômetros que faltavam. Enquanto isso, o garmim de Eduardo avisava, a cada 'bipe', que mais um quilômetro havia sido vencido.

Encontrei Eduardo na Ermida Dom Bosco, quando ele já havia corrido mais de 67 quilômetros. "Dói tudo" disse ele. Seguimos sem a companhia do "pace". Se não fui claro, quis dizer que, para se completar uma distância dessas, o "pace" deixa de ser importante. Corremos, trotamos, andamos. Num momento Eduardo acelerou o passo, em outro se resignou frente à subida do quilômetro 81. Nesse ponto especificamente, caminhamos alguns metros e logo Eduardo voltou à carga.

Era nessas horas que Cláudio aproveitava para tirar da manga seus sofismas motivadores. Nesse mesmo quilômetro 81 Cláudio lembrou Eduardo que 19 km não eram nada, comparado com os tantos treinos de 30 ou 35 km vencidos. Se funcionava? Não sei, mas Eduardo sabia que faltava pouco e seguia trotando. À frente, mais da Ápice chegava. Victor e Adriano Klebs vinham a nosso encontro e rapidamente engrossaram o coro e as passadas de apoio.

Minha participação se encerrou no Pontão do Lago Sul, 18,6 km depois de nosso encontro na Ermida. Ao lado de Eduardo, continuaram os dois grandes apicianos e o inseparável Cláudio.

Eduardo completou os 100 km em 11 horas e 29 minutos e atravessou o pórtico da chegada ao lado de sua esposa e de mãos dadas com seu filho, cercado de sorrisos e aplausos dos amigos de corrida que se emocionaram com sua conquista.




Parabéns Eduardo! 



Antes de finalizar esse post, queria dizer mais uma coisa. Enquanto estive ao lado de Eduardo, sua mãe (que o acompanhava de carro) me agradeceu pelo apoio que, teoricamente, eu estava dando. Sobre isso, é preciso que eu diga: eu é que agradeço!!! Ter vivido essa experiência com os amigos de corrida me motiva sobremaneira. Sei que muitos apicianos podem dizer o mesmo, pois também acompanharam a conquista com emoção genuína.
Valeu demais!
Um abraço a todos e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos