Esse Blog teve seu início no dia 08 de junho de 2010 e seu post final foi publicado no dia 14 de julho de 2013, quando o objetivo da Maratona foi alcançado.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tudo pela Família.

Na Maratona do Gelo, perto dos 30 km, o reporter Clayton Conservani extenuado e buscando forças para continuar sua corrida, firma seu pensamento em sua filha e se motiva a continuar até o fim. Olhando para a câmera, Clayton afirma enquanto corre:

"Pensei muito na minha filha. Na Gabi. Tenho que fazer valer à pena; todo esse tempo que eu passo longe dela. Essa prova é pra você, Gabi! Todas as forças que eu tenho agora são pra você, minha filha"

Na mesma prova, Bernardo Fonseca, o vencedor, dedica com voz embargada pela emoção:
"Isso é pra minha esposa querida (...) que me ajudou bastante. Desculpe os momentos em que eu não pude ficar com ela. É pra você". 

Essas declarações mexem comigo. Ouvir o Clayton dedicar, em meio às dores e ao cansaço, aquela maratona à sua filha, me emocionou. Me imaginei em situação semelhante e desejei poder dedicar algo tão emblemático à todos que amo - especialmente meus pais, minha esposa e minha filha.

É aqui que esbarro em uma incompatibilidade. Para enfrentar esses desafios, preciso abrir mão do convívio com essas pessoas preciosas. E, se o carinho é recíproco, será que eles querem essa homenagem? Será que eles escolheriam a minha ausência recorrente, em razão dos treinos?

Para minha mulher, que brinca falando sério, quando corro, eu "corro da família". Não é verdade, mas também não é mentira, pois muitos dos desafios que crio são apenas meus e não seria justo dividí-los com outros, sem que tenham chance de escolha.

Por outro lado, conversando com triatletas de IronMan, maratonistas, ultramaratonistas, alguns me disseram que em um certo ponto da prova as dores se tornam maiores do que qualquer pensamento; só não superam o desejo de rever a família na linha de chegada. A família que foi sacrificada pelas ausências e que também merece aquela conquista. Como numa prova de revezamento, onde todos dão sua quota de esforço, e você prossegue, vencendo o cansaço; é por eles que as pernas continuam a se movimentar. São eles que te impulsionam adiante.

O fato é que um grande amor merece uma grande homenagem e nada é tão significante quanto mostrar o quão incompleto você é sem aqueles que ama. Talvez eles não percebam a dimensão da força que nos emprestam. Mas precisam saber que os que correm pela família, embora 'corram dela', correm 'com ela' e 'de volta pra ela'.

A meus familiares, amo demais vocês. Minha esposa e filha querida, não vivo sem vocês.
Eu, Juju e Karine (ao fundo à esquerda) junto ao poste.

Um grande beijo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Volta à Ilha.

Viajar para praia sempre provocou um sentimento diferenciado em mim. Embora me considere um ser essencialmente urbano, preciso dizer que andar descalço na areia, deixando a água molhar meus pés, me traz uma sensação sem igual.

No dia 14 de abril de 2012, pude experimentar esse prazer enquanto corria na praia de Moçambique (Florianópolis). A maior das praias da ilha, por fazer parte de uma reserva florestal, não possui construções ao redor. Um cenário magnífico! E lá estava eu, pronto para vencer sua areia terrivelmente macia.

Em minha corrida mental, me imaginava fugindo da areia fofa. Correria na areia dura, mais próxima ao mar. Para evitar que o tênis se encharcasse com a mistura de água e areia, decidi correr com o Vibram Five Fingers. Encararia a peleja sem amortecimento - "descalço".

Foi a corrida perfeita. A melhor, em todos os sentidos. O cenário belíssimo; os pés molhados pela água do mar que hora passava à esquerda, e hora cobria a areia em minha frente. Simplesmente não desviava;  me misturava! Fantástico!! Um presente que recebi do amigo Aviz Quadrado (Capitão da equipe).

Mas a Volta à Ilha não acabou com os 5,6 km de Moçambique. Também não começou por ela. Nossa aventura teve início às 5:30 da manhã. Meu primeiro trecho foi o terceiro (8.2 km). Classificado pela organização da prova como 'difícil', tinha subidas (umas mais íngremes do que outras) seguidas por suas respectivas descidas.  Foi um trecho bom em que tentei fazer um pace mais baixo, mas as subidas me atrapalharam e calculei mal os metros finais - quando ia dar um sprint (no último quilômetro), acabou o trecho.

Praia Moçambique ou Praia Grande
De resto, o que posso dizer é que é uma prova linda. O fato de ser revezamento torna tudo mais especial. Corremos por todos; e nos momentos em que, estando sozinho, decidiríamos andar, tiramos o coelho da cartola e seguimos num trote.

A cidade falava da corrida em todos seus cantos - restaurantes, praias, livrarias, shoppings, saguões de hotel, aeroporto. Em cada frase que era dita, podia ser identificado as palavras "trecho", "trilhas", "morro", "pace".

Recomendo viverem essa aventura. Apenas escolham bons companheiros para dividir o dia na Van. No meu caso, fiquei em excelente companhia durante todo o dia e isso tornou ainda mais especial a Volta à Ilha. A cada um deles* (Aviz, Álvaro, Eliana, Jarbas, Celi, Carol, Adriana, Marcelo, Pedra e Marquinhos) meus mais sinceros agradecimentos. Valeu muito!!!!


Acho que nunca estive tão motivado com a corrida.
Que venham novos desafios.
E agora em família, já que minha mulher (que foi à Florianópolis) gostou tanto que também vai entrar na brincadeira. Tomara!!! \o/

Um grande abraço e até a próxima.

Luiz Guilherme Loivos

*Berê, Faltou você!